domingo, 17 de agosto de 2008

Preguiça

Estou com preguiça das pessoas. Uma preguiça enorme de ouvi-las se enganando e tentando me enganar também. Todo mundo parece estar numa partida constante, de um jogo no qual o adversário somos nós mesmos. Cheque-mate! Acabei com o meu jogo, não ganhei nem perdi, mas me disseram que tinha que ser assim.
Agora sou uma observadora atenta dos sintomas. Já percebi que as pessoas adoram me usar como um pré-teste. Vou explicar: elas estão se enganando, sabem o que sentem, o que querem e o que pensam de verdade, mas me falam exatamente aquilo que gostariam de estar sentindo, querendo ou pensando. Se eu acredito, elas seguem em frente, na maioria das vezes. Se eu não acredito, elas também seguem em frente, afinal, quem sou eu pra entrar em um jogo que não é meu? Eu finjo, faço cara de lâmpada e dou aquele sorrisinho amarelo. Não posso ganhar a partida por ninguém... posso provocar, nada mais que isso.
É tão simples e libertador jogar limpo. Não interessa se estou sendo infantil, ignorante, idiota, burra... sou eu e ninguém pode mudar isso.
Eu perdi uma partida, mas joguei limpo. Estava triste, na verdade com ciúmes de um menino que eu ficava. Há poucos dias ele me amava e ia me esperar pra sempre. Era bom conversar com ele, eu abria o jogo e ele entendia, só me falava que era besteira demais sofrer. Eu não sofria, só tentava me proteger. Não queria. Mas ele sempre estava ali, pronto pra conversar. Pra ligar de madrugada quando eu não saia com ele, e dizer que, como eu não tinha ido, ele tava bêbado e precisava dizer que me amava. Até que ele desistiu de mim. Agora, não tenho mais quem me bajule, quem me ligue, quem diga que me ama. É triste, dói... mas até que ponto é ego ferido e até que ponto realmente quero estar com ele?? O medo se explica por poder escutar um "agora quem não quer sou eu" ou um "eu quero" e ver que não era aquilo que EU queria. Difícil decidir, né?
"Antigamente", eu mentiria pra mim e diria que queria de novo, só de teimosia, só pra não perder. Inventaria que ele está com outra pra passar tempo. Mas pra que me enganar? É justo. E quem sou eu pra deixar meu ego destruir alguma coisa legal. Hum? É isso e ponto final.

" E eu que já não sou assim
Muito de ganhar
Junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz."

Música de hoje "O vencedor", Los Hermanos.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Tudo o que preciso

Eu ia começar um texto no plural, mas a questão é bem singular.
Analisando bem, o que preciso mesmo, é de um cara que tenha um papo bacana, (censurado), que faça cafuné, ligue de madrugada sem eu pedir , só pra dizer que não vive sem mim e que curta rock'n'roll....

Eu ando carrancuda, amanhã serei a garota mais simpática da cidade.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Lembretes

1. Não engravidar nos próximos 30 dias;
2. Não doar sangue nos próximos 30 dias.
É que eu tomei vacina contra rubéola e sarampo e diz aqui que não pode. Vai que eu esqueço...

Esse tempo maluco e frio acabou com meu sistema respiratório, mas eu até gosto da minha voz rouca. Fica sexy!

;*

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

A extinção das borboletas

É muito reconfortante pensar que tudo está fadado ao fracasso. Mas é um conformismo que dói, que incomoda, como se implorasse para que não fosse verdade. Não fosse a persistência e a passividade a que tudo está submetido, nada nunca mudaria e as histórias seriam sempre as mesmas. Felizmente, não são. Mas o medo da repetição aprisiona. Ah! Como eu tenho medo de recair naquela mesmisse que é o amor. O medo daquela certeza ridícula e absoluta do fracasso.
Há muito tempo, aliás, não sinto as borboletas no meu estômago - sintoma típico de algo que num futuro indefinido me levará às náuseas e ao vomito e só eu mesmo posso imaginar o tamanho da minha aversão ao ato de vomitar. Meu estômago já optou pela autofagia. E é como se eu conseguisse sentir o gosto amargo ao digerir minha própria carne. Enquanto isso, eu seguro o vomito e engulo o choro.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Férias

O doce mais gostoso do mundo, com creme de coco e morangos, não tinha gosto. O tempo passava como se meu corpo não sentisse, como se meu cérebro estivese amortecido demais para se dar conta do que passava ao meu redor. Foram uns quatro dias. Nestes, a impressão que tive, foi a de que não vivi. Foi tempo perdido, desperdiçado, para algo maior que me puxava pra dentro de um poço fundo, que parecia sem volta. O único momento de resgate para a realidade foi quando eu estava bêbada, mas eu estava muito bêbada pra saber distinguir a fantasia do real. Eu podia dormir horas, eu podia olhar horas para um ponto fixo sem nenhum sentido e sem, realmente, pensar em alguma coisa. Eu, simplesmente, não conseguia pensar. Se eu pudesse raciocinar, ao menos um pouco, iria jurar que tinha sido lobotomia e ia ter medo que não tivesse volta. Mas acho que eu simplesmente tirei férias de mim. Era imprescindível, então, que eu não descobrisse. Para isso cortaram todas as ligações dos sentidos com meu cérebro: eu não sentia gosto, cheiro, não via ou ouvia, é certo que falei algumas frases soltas e sem sentido por aí, mas nem lembro muito bem. É bem certo que não vivi esses dias. É certo também que falhei, as lembranças me denunciaram à pequena parte que ficou de plantão. E ontem, quando eu menos precisava voltar à mim, antes de dormir, eu voltei. Não foi como uma pancada na cabeça ou como receber uma entidade. Quando encostei a cabeça no travesseiro, eu apenas senti, tudo de novo, the same old way... dormi feliz, por estar de volta.

domingo, 27 de julho de 2008

Shorter of breath and one day closer to death

Tinha pensado em vários textos pra colocar aqui, rendiam uma série, tinha até um parecido com o último, que não deu muito ibope. Agora, que tive um tempinho pra gastar aqui, deu branco. Vamos tentar alguma coisa, já que isso é terapia pra mim.

Já falei no meu drama futura recém-formada?? Depois de sete anos estudando não é difícil parar assim... devia ter acompanhamento psicológico em casos como o meu. Apesar de estar de saco cheio de ir até a faculdade e de algumas precariedades do meu curso, eu sei que vou sentir falta. O que pesa mais mesmo, é que, depois que me formar, não terei mais desculpas, terei que lutar por uma vaga na minha área (seja RP ou jornalismo). E isso dá medo, porque é tão difícil. Também acabou minha desculpa pra não fazer inglês, espanhol, francês e russo, nem pra não fazer nenhum exercício físico, nem pra ter só um emprego se o outro for de meio período, nem pra decidir o que eu quero da minha vida de verdade. Gente, o que eu quero da minha vida, de verdadade??????

Acho que eu deixei pra pensar tarde demais sobre o que eu vou fazer com verdadeira empolgação, todos os dias do resto da minha vida. Não quero deixar a vida passar sendo empurrada pela barriga, aceitando uma situação como se não tivesse oportunidade de mudá-la. Principalmente, porque eu sei que é isso que estou fazendo agora. Viver na ignorância é maravilhoso... saber que a gente não está fazendo nada pra mudar é muito pior do que se não tivéssemos nenhuma consciência sobre isso.

Tenho a impressão que fico colocando obstáculos na minha frente, eu to me sacaneando. Digo que quando terminar alguma coisa, farei outra. Mas quando termino, coloco outra prioridade, que nem é tão prioritária assim e depois outra, e outra, e outra... até perder o rumo e fingir que esqueci da meta.

O mais desesperador de tudo, é que eu acho que todo mundo sente isso... e ninguém consegue explicar porque fica deixando pra viver depois. Como a gente se engana, como a gente gosta de ser enganado...

Música de hoje: "Time", do Pink Floyd!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Life is a waterfall

Cá estou eu, com meu chá e meu farto pedaço de bolo, lendo algumas coisas interessantes na internet. O que não é raro, mas admito que ultimamente meu tempo na frente do computador tem sido desperdiçado com informações completamente inúteis, pra não dizer que nem chegam a ser informações.

Preciso abrir um parênteses: (Minha cabeça voltou fervilhante da orientação do meu TCC. Eu achei a justificativa perfeita pro nosso produto ser impresso e não virtual. Na internet as pessoas são mais dispersas do que costumam ser normalmente – pra não dizer na vida real. Muita informação, muita coisa inútil, muita gente preocupada demais com as pessoas e de menos com os ideais.

No papel a gente se concentra mais, nenhum pop-up, mensagem no MSN e outros aplicativos piscando, gritando ou tremendo a tela para chamar a atenção. A linguagem é diferente, o conteúdo pode ser mais aprofundado, você pode levar pra outros lugares e ler tranquilamente, inclusive no banheiro, mesmo que seu computador não seja portátil ou sua internet wireless não alcance o cômodo) Fecha parênteses.

Eu comentava que estava lendo algumas coisas interessantes e úteis, pois bem, achei esse texto:

Vendendo a Amazônia

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u413846.shtml

Que foi seguido por este:

Rifando a Amazônia

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u416068.shtml

Se você não os leu dificilmente vai entender os comentários abaixo. E eu espero, de coração, que os freqüentadores desse humilde blog (aqueles que eu não sei que me visitam) percam alguns minutos do seu precioso tempo.

Leu? Pois é. A maioria dos leitores é burra. O cara escreveu um texto ótimo, contextualizado, utilizando para o entendimento do leitor vários exemplos. Contudo, a maioria não entendeu que, ao contrário da venda da Amazônia, ele estava falando sobre o estado de cegueira na qual algumas armadilhas psíquicas nos colocam, como o sentimento exacerbado de nacionalismo. Nesse contexto também se encaixam diversas modalidades do fanatismo, inclusive o religioso. Acredito que fui bem clara quando acrescentei a palavra cegueira e não preciso explicar qual a conseqüência desses sentimentos em um ser humano.

As pessoas leram, não entenderam e ainda foram comentar, com xingamentos, o que pra mim só concretiza a falta de capacidade intelectual.

Sou obrigada a cair num discurso batido, mas que jamais foi colocado em prática, pelo menos no nosso Brasil varonil. Precisamos melhorar a educação, precisamos ler mais, precisamos pensar as coisas de maneira crítica, precisamos ampliar a nossa visão sobre as coisas e não enxergar apenas o nosso umbigo.

É por essas e por outras que tenho certeza que só serei uma boa jornalista, sem ser uma profissional medíocre, daqui muito tempo. Porque eu preciso de muita bagagem, experiência e uma imensa auto-crítica. Não quero sair escrevendo textos de pseudo-opinião, que falam (e falam mal) a mesma coisa, sobre tudo o que todo mundo já sabe, achando que estou revolucionando o mundo com uma visão ímpar e singular que não dá um passo além da subjetividade massificada, à qual a maioria da população está condicionada.

Fiquei com algumas coisas que renderiam discussões interessantes:

A Amazônia precisa ser minha pra que eu ajude a preservá-la?

As mesmas pessoas que destilam palavrões e textos sem fundamento fazem alguma coisa pra mudar alguma coisa – ou pelo menos o que criticam?

Agora escutem “Aerials” do System of a Down.

“Aerials
In the sky
When you lose small mind
you free your life
Aerials
So up high
When you free your life
eternal prize”

Aliás, escutem todas as músicas do SOAD.


Prometo que meu próximo texto falará só sobre mim e minhas dúvidas, sentimentos, angústias, alegrias, certezas e insanidades.