quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Lembretes

1. Não engravidar nos próximos 30 dias;
2. Não doar sangue nos próximos 30 dias.
É que eu tomei vacina contra rubéola e sarampo e diz aqui que não pode. Vai que eu esqueço...

Esse tempo maluco e frio acabou com meu sistema respiratório, mas eu até gosto da minha voz rouca. Fica sexy!

;*

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

A extinção das borboletas

É muito reconfortante pensar que tudo está fadado ao fracasso. Mas é um conformismo que dói, que incomoda, como se implorasse para que não fosse verdade. Não fosse a persistência e a passividade a que tudo está submetido, nada nunca mudaria e as histórias seriam sempre as mesmas. Felizmente, não são. Mas o medo da repetição aprisiona. Ah! Como eu tenho medo de recair naquela mesmisse que é o amor. O medo daquela certeza ridícula e absoluta do fracasso.
Há muito tempo, aliás, não sinto as borboletas no meu estômago - sintoma típico de algo que num futuro indefinido me levará às náuseas e ao vomito e só eu mesmo posso imaginar o tamanho da minha aversão ao ato de vomitar. Meu estômago já optou pela autofagia. E é como se eu conseguisse sentir o gosto amargo ao digerir minha própria carne. Enquanto isso, eu seguro o vomito e engulo o choro.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Férias

O doce mais gostoso do mundo, com creme de coco e morangos, não tinha gosto. O tempo passava como se meu corpo não sentisse, como se meu cérebro estivese amortecido demais para se dar conta do que passava ao meu redor. Foram uns quatro dias. Nestes, a impressão que tive, foi a de que não vivi. Foi tempo perdido, desperdiçado, para algo maior que me puxava pra dentro de um poço fundo, que parecia sem volta. O único momento de resgate para a realidade foi quando eu estava bêbada, mas eu estava muito bêbada pra saber distinguir a fantasia do real. Eu podia dormir horas, eu podia olhar horas para um ponto fixo sem nenhum sentido e sem, realmente, pensar em alguma coisa. Eu, simplesmente, não conseguia pensar. Se eu pudesse raciocinar, ao menos um pouco, iria jurar que tinha sido lobotomia e ia ter medo que não tivesse volta. Mas acho que eu simplesmente tirei férias de mim. Era imprescindível, então, que eu não descobrisse. Para isso cortaram todas as ligações dos sentidos com meu cérebro: eu não sentia gosto, cheiro, não via ou ouvia, é certo que falei algumas frases soltas e sem sentido por aí, mas nem lembro muito bem. É bem certo que não vivi esses dias. É certo também que falhei, as lembranças me denunciaram à pequena parte que ficou de plantão. E ontem, quando eu menos precisava voltar à mim, antes de dormir, eu voltei. Não foi como uma pancada na cabeça ou como receber uma entidade. Quando encostei a cabeça no travesseiro, eu apenas senti, tudo de novo, the same old way... dormi feliz, por estar de volta.

domingo, 27 de julho de 2008

Shorter of breath and one day closer to death

Tinha pensado em vários textos pra colocar aqui, rendiam uma série, tinha até um parecido com o último, que não deu muito ibope. Agora, que tive um tempinho pra gastar aqui, deu branco. Vamos tentar alguma coisa, já que isso é terapia pra mim.

Já falei no meu drama futura recém-formada?? Depois de sete anos estudando não é difícil parar assim... devia ter acompanhamento psicológico em casos como o meu. Apesar de estar de saco cheio de ir até a faculdade e de algumas precariedades do meu curso, eu sei que vou sentir falta. O que pesa mais mesmo, é que, depois que me formar, não terei mais desculpas, terei que lutar por uma vaga na minha área (seja RP ou jornalismo). E isso dá medo, porque é tão difícil. Também acabou minha desculpa pra não fazer inglês, espanhol, francês e russo, nem pra não fazer nenhum exercício físico, nem pra ter só um emprego se o outro for de meio período, nem pra decidir o que eu quero da minha vida de verdade. Gente, o que eu quero da minha vida, de verdadade??????

Acho que eu deixei pra pensar tarde demais sobre o que eu vou fazer com verdadeira empolgação, todos os dias do resto da minha vida. Não quero deixar a vida passar sendo empurrada pela barriga, aceitando uma situação como se não tivesse oportunidade de mudá-la. Principalmente, porque eu sei que é isso que estou fazendo agora. Viver na ignorância é maravilhoso... saber que a gente não está fazendo nada pra mudar é muito pior do que se não tivéssemos nenhuma consciência sobre isso.

Tenho a impressão que fico colocando obstáculos na minha frente, eu to me sacaneando. Digo que quando terminar alguma coisa, farei outra. Mas quando termino, coloco outra prioridade, que nem é tão prioritária assim e depois outra, e outra, e outra... até perder o rumo e fingir que esqueci da meta.

O mais desesperador de tudo, é que eu acho que todo mundo sente isso... e ninguém consegue explicar porque fica deixando pra viver depois. Como a gente se engana, como a gente gosta de ser enganado...

Música de hoje: "Time", do Pink Floyd!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Life is a waterfall

Cá estou eu, com meu chá e meu farto pedaço de bolo, lendo algumas coisas interessantes na internet. O que não é raro, mas admito que ultimamente meu tempo na frente do computador tem sido desperdiçado com informações completamente inúteis, pra não dizer que nem chegam a ser informações.

Preciso abrir um parênteses: (Minha cabeça voltou fervilhante da orientação do meu TCC. Eu achei a justificativa perfeita pro nosso produto ser impresso e não virtual. Na internet as pessoas são mais dispersas do que costumam ser normalmente – pra não dizer na vida real. Muita informação, muita coisa inútil, muita gente preocupada demais com as pessoas e de menos com os ideais.

No papel a gente se concentra mais, nenhum pop-up, mensagem no MSN e outros aplicativos piscando, gritando ou tremendo a tela para chamar a atenção. A linguagem é diferente, o conteúdo pode ser mais aprofundado, você pode levar pra outros lugares e ler tranquilamente, inclusive no banheiro, mesmo que seu computador não seja portátil ou sua internet wireless não alcance o cômodo) Fecha parênteses.

Eu comentava que estava lendo algumas coisas interessantes e úteis, pois bem, achei esse texto:

Vendendo a Amazônia

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u413846.shtml

Que foi seguido por este:

Rifando a Amazônia

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u416068.shtml

Se você não os leu dificilmente vai entender os comentários abaixo. E eu espero, de coração, que os freqüentadores desse humilde blog (aqueles que eu não sei que me visitam) percam alguns minutos do seu precioso tempo.

Leu? Pois é. A maioria dos leitores é burra. O cara escreveu um texto ótimo, contextualizado, utilizando para o entendimento do leitor vários exemplos. Contudo, a maioria não entendeu que, ao contrário da venda da Amazônia, ele estava falando sobre o estado de cegueira na qual algumas armadilhas psíquicas nos colocam, como o sentimento exacerbado de nacionalismo. Nesse contexto também se encaixam diversas modalidades do fanatismo, inclusive o religioso. Acredito que fui bem clara quando acrescentei a palavra cegueira e não preciso explicar qual a conseqüência desses sentimentos em um ser humano.

As pessoas leram, não entenderam e ainda foram comentar, com xingamentos, o que pra mim só concretiza a falta de capacidade intelectual.

Sou obrigada a cair num discurso batido, mas que jamais foi colocado em prática, pelo menos no nosso Brasil varonil. Precisamos melhorar a educação, precisamos ler mais, precisamos pensar as coisas de maneira crítica, precisamos ampliar a nossa visão sobre as coisas e não enxergar apenas o nosso umbigo.

É por essas e por outras que tenho certeza que só serei uma boa jornalista, sem ser uma profissional medíocre, daqui muito tempo. Porque eu preciso de muita bagagem, experiência e uma imensa auto-crítica. Não quero sair escrevendo textos de pseudo-opinião, que falam (e falam mal) a mesma coisa, sobre tudo o que todo mundo já sabe, achando que estou revolucionando o mundo com uma visão ímpar e singular que não dá um passo além da subjetividade massificada, à qual a maioria da população está condicionada.

Fiquei com algumas coisas que renderiam discussões interessantes:

A Amazônia precisa ser minha pra que eu ajude a preservá-la?

As mesmas pessoas que destilam palavrões e textos sem fundamento fazem alguma coisa pra mudar alguma coisa – ou pelo menos o que criticam?

Agora escutem “Aerials” do System of a Down.

“Aerials
In the sky
When you lose small mind
you free your life
Aerials
So up high
When you free your life
eternal prize”

Aliás, escutem todas as músicas do SOAD.


Prometo que meu próximo texto falará só sobre mim e minhas dúvidas, sentimentos, angústias, alegrias, certezas e insanidades.

sábado, 21 de junho de 2008

O sol, eu e Mersault

Nos dias de mais frio, quando o sol insiste em brilhar forte, tem uma coisa que eu adoro fazer e que, infelizmente, não posso fazer em todos esses dias. Na minha casa em Guarapuava tem um quintal gigante. Minha mãe tem mania de colocar os colchões no sol - diz ela que o motivo é a umidade, eu adoro porque à noite o colchão ainda está quentinho. Ela encosta os colchões na parede dos fundos, perto da porta da cozinha. Depois do almoço eu adoro sentar no colchão e ficar tomando sol. É nesta hora que o sol está mais quente e um pouco inclinado, no ângulo perfeito pra uma seção de lagarteamento.
Sempre tem alguém pra conversar, minha vó, minha mãe, meu pai, a giuli, o zé, os gatos, as galinhas... não que eu converse com gatos (só com o Nacho) e com galinhas, mas eles não podem ser simplesmente descartados como companhia.
O sol demora a esquentar, mas quando esquenta, parece que a pele toda está borbulhando... é mais ou menos aí que todos resolvem me abandonar e eu fico ali sem forças pra levantar. Os únicos pensamentos que consigo ter são:
- O sol é bom, o calor é bom!!!
Mas aí o sol me cega, eu não enxergo mais nada, perco momentaneamente o controle sobre mim, sei que tenho que sair dali mas não consigo levantar. É nessas horas que eu entendo o Mersault*... o fato de o sol ter o cegado e ele não conseguir explicar porque matou. Não, nesses momentos eu não estou mais propícia a cometer um homicídio, eu simplesmente estou mais propícia ao descontrole... o sol não cega só os olhos, mas cega a mente, deturpa a visão e a razão. A estes ingredientes você junta outros fatores, como acontecimentos recentes, passados lingínqüos, ideologias, filosofias (absurdas). Misturando tudo e deixando no sol você chega a um assassinato sem explicação ou a um corpo cambaleante que, inerte, se joga em um colchão, na sombra.

As bolinhas vermelhas , como meteoritos em chamas, permanecem por um tempo tempo na minha visão.

*Personagem principal de "O Estrangeiro" de Albert Camus.

sábado, 7 de junho de 2008

O que me preocupa hoje é a minha falta de preocupação. Minha maneira de levar as coisas, do jeito que der pra levar, sem muito esforço pra fazer melhor ou impressionar. Tudo bem, que agora eu abro a boca e bato o pé quando acho que tá errado, mas nem sempre é assim e nem sempre foi assim. O modo como estou cagando pro meu tcc me deixa nervosa, mas eu não fico nervosa e faço meu tcc, eu simplesmente ignoro ele.
Uma coisa tão grande e sem explicação. É um vazio que, de tão vazio, tá apertado, não cabe mais dentro de mim. O vazio é mais apertado que o cheio. O cheio se acomoda e não deixa espaço pro aperto. Mas será que o cheio preenche tão bem assim?
Eu só faço brigar comigo... e o vazio só parece aumentar. O aperto esmaga cada vez mais. Como se o vazio e o aperto, juntos, tirassem tudo o que resta de mim. E esse tudo já é tão pouco e sem sentido e, mesmo assim, eu não consigo me preocupar. Fim!